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Correção de Quantidade de Anticoagulante em amostras com VG aumentado
29/08/2017 |    #Padronização  #Hemostasia e Coagulação
Para estudos dos fatores de coagulação é necessário a utilização de citrato de sódio como anticoagulante (tubo de tampa azul), em 3,8g/dl de concentração em água. Como ele pode ter vários graus de hidratação, a concentração padronizada é 0,106 M. A relação sangue/anticoagulante é de 1/10 e é válida para valores de volume globular ou hematócrito de 45%, com uma variação permitida entre 25 a 55%, e deve ser feita a correção da quantidade de anticoagulante quando esta relação não é obedecida. Exemplo: O laboratório coleta 4,5 ml de sangue para 0,5 ml de anticoagulante (relação 1/10). Para um VG  de 45% tem-se 55ml de plasma em 100 ml de sangue total. 55 ml de plasma ........................ 100 ml de sangue total (VG 45%) x   ml de plasma ........................  4,5 ml de sangue total  x  =  2,475 ml de plasma em 4,5 ml de sangue total para um VG de 45%. Caso o paciente tenha um VG  de 70% terá 30 ml de plasma. 30 ml de plasma ........................ 100 ml de sangue total (VG 70%) y   ml de plasma ........................  4,5 ml de sangue total y  =  1,35 ml de plasma em 4,5 ml de sangue total para um VG de 70%. Deve ser utilizado 0,5 ml de anticoagulante para 2,475ml de plasma (VG 45%), o paciente em questão tem 1,35 ml de plasma portanto não pode ser utilizada a mesma quantidade de anticoagulante. A correção é feita pelo seguinte cálculo: 0,5 ml de anticoagulante................. 2,475 ml de plasma (VG 45%) Z  ml de anticoagulante....................1,35 ml de plasma (VG 70%) z  =  0,27 ml de anticoagulante para um VG de 70%. Caso a quantidade de anticoagulante não seja corrigida, haverá um excesso de 0,23 ml de anticoagulante, este excesso presente no plasma coletado irá inibir o cálcio utilizado na realização do TP e no TTP, prolongando o resultado dos dois exames. Referências SILVA, Paulo H., HASHIMOTO, Yoshio. COAGULAÇÃO: Visão Laboratorial da Hemostasia Primária e Secundária. Rio de Janeiro, RJ: Revinter: 2006 SILVA, Paulo H., ALVES, Hemersson B., COMAR, Samuel R., HENNEBERG, Railson, MERLIN, Julio C., STINGHEN, Sérvio T. HEMATOLOGIA LABORATORIAL Teoria e Procedimentos. São Paulo, SP, ARTMED: 2015
Bastonete ou Segmentado. O Dilema da Morfologia Celular Que Divide Opiniões.
Por: Dr. Paulo Merisio em 06/12/2016 |    #Leucograma  #Padronização  #Hematoscopia
E o problema não para por aí. Dependendo do profissional que estiver analisando, a mesma célula pode ser classificada de maneiras diferentes. É como aquela discussão eterna sobre a cor do vestido: uns veem azul e preto, outros veem branco e dourado. Na hematologia, o “vestido” são os neutrófilos intermediários!   Mas calma! Vamos trazer critérios concretos para esse debate.   --- ## O Que Diz a Literatura? Para evitar que cada laboratório crie sua própria interpretação (e acabe parecendo um horóscopo hematológico), é fundamental seguir critérios reconhecidos. Aqui estão alguns dos mais citados:   ### 📚 Critério de Cartwright Cartwright define um neutrófilo segmentado como uma célula onde o núcleo apresenta uma constrição de pelo menos 2/3 menor que a maior parte do núcleo.   🔹 O problema? Isso é extremamente subjetivo! Como ninguém anda com uma régua embutida nos olhos, a mesma célula pode ser bastonete para um profissional e segmentado para outro.   --- ### 📚 Critério do CAP/NCCLS O CAP/NCCLS define o bastonete como uma célula madura da linhagem granulocítica, curvada, com o núcleo em formato de bastão e sem filamento de cromatina.   👉 Se existe cromatina na ponte que une os lóbulos, a célula ainda é um bastonete.   👉 Se o núcleo está dobrado ou superposto e não dá para ver a conexão entre os lóbulos, é um segmentado.   Já temos um critério mais palpável aqui, certo? Mas ainda há outra abordagem!   --- ### 📚 Critério de Miale Segundo Miale, se não houver formação de filamento de cromatina, a célula ainda é um bastonete.   🔹 Ponto positivo: Esse critério é mais reprodutível entre diferentes profissionais, o que reduz erros e garante mais uniformidade na análise.   Porém, há um detalhe: Miale recomenda valores de referência de até 10% de bastonetes. Então, dependendo do laboratório, a adoção desse critério pode impactar diretamente nos relatórios e interpretação clínica.   --- ## Qual O Melhor Critério? Se você já trabalhou em um laboratório onde cada profissional segue um critério diferente, sabe que isso pode virar uma verdadeira torre de Babel hematológica.   O mais importante é que um critério seja definido, seguido e padronizado por todos os profissionais do laboratório. Afinal, se cada um decidir classificar a mesma célula de um jeito, os resultados se tornam inconsistentes e irreproduzíveis – e isso não é aceitável em um ambiente laboratorial.   --- ## E Se O Laboratório Mudar O Critério? Isso pode (e deve) ser comunicado! Adotar um novo critério pode ser uma excelente estratégia de marketing, especialmente se for embasado na literatura científica mais atualizada.   Uma ótima prática é enviar informativos aos médicos explicando a atualização e os novos valores de referência adotados. Isso não apenas evita dúvidas e inconsistências nos laudos, mas também fortalece a credibilidade do laboratório.   --- ## Quer Saber Mais? Esse assunto rende discussões e análises detalhadas. Para te ajudar a aprofundar, confira essa aula exclusiva do curso HemoClass LAN sobre esse assunto. 📺 Assista agora clicando AQUI ou copie e cole o link abaixo no seu navegador: https://youtube.com/live/nByuToCqlWU E aí, qual critério você segue no seu laboratório? Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência! 🚀 Veja abaixo algumas imagens sobre bastonetes que causariam uma confusão bem grande no laboratório....  
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