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Descomplicando a Hematologia com a Metodologia 3R: Reconhecer, Relatar e Relacionar
Por: Por Prof. Paulo Merisio Leitura: 9 minutos HemoClass em 29/04/2026 |    #Consultoria  #Hematoscopia
Você sentou na bancada hoje cedo, colocou a lâmina no microscópio, ajustou o foco — e ali estava. Uma célula que não é "normal", mas também não tem cara de nada que você viu com clareza na faculdade. Mais arredondada que um linfócito. Cromatina parecendo meio frouxa. Um nucléolo que ora aparece, ora some. Você olha de novo. Pensa: "é blasto?". Pensa: "é linfócito reativo?". E aquele frio na barriga começa. Você sabe que existe um paciente do outro lado dessa lâmina. Sabe que o laudo que você liberar vai parar nas mãos de um médico que vai decidir o próximo passo do tratamento. E sabe, sobretudo, que se você errar — ou se você acertar e não souber descrever direito — esse paciente paga o preço. Se essa cena soa familiar, você precisa saber de uma coisa: o problema nunca foi você. O problema real não é falta de inteligência. É falta de método. A faculdade ensina hematologia por similaridade. Funciona mais ou menos assim: o professor mostra uma imagem de blasto, mostra outra de blasto, mostra mais uma — e diz "olha, blasto se parece com isso". Você decora aquela imagem mental. Aí chega a bancada. E a célula que está ali na sua frente não é igual à imagem que você decorou. É parecida, mas não igual. E em hematologia, "parecido" não basta. Em hematologia, parecido é o que faz o analista travar, hesitar, chamar o colega, pesquisar no Google às pressas. O ensino por similaridade é frágil porque depende de você lembrar de uma imagem específica. E célula viva não respeita imagem de livro. Cada paciente apresenta a alteração de um jeito ligeiramente diferente. A faculdade te ensinou a comparar imagens. A bancada exige que você reconheça padrões. São coisas diferentes — e a diferença entre elas é a diferença entre travar e liberar com confiança. Foi exatamente esse problema que a Metodologia 3R foi criada para resolver. A virada: como nasceu a Metodologia 3R Trabalhando há mais de duas décadas com hematologia laboratorial, formando analistas em laboratórios de pequeno, médio e grande porte, e coordenando a norma ABNT que padroniza a liberação do hemograma em todo território nacional, eu via o mesmo padrão se repetir: profissionais excelentes, dedicados, esforçados — e ainda assim travados na bancada. Não por preguiça. Não por incapacidade. Por falta de método. A Metodologia 3R nasceu da resposta a três perguntas que todo analista clínico precisa saber responder com segurança diante de qualquer alteração hematológica: O que é essa célula? Como reconheço com segurança? Como eu descrevo isso no laudo, do jeito certo, segundo as normas? O que essa alteração significa para o paciente que está do outro lado? Cada R responde uma dessas perguntas. E juntos, eles transformam a leitura de lâmina de um exercício de adivinhação em um processo sistemático e replicável. Reconhecer. Relatar. Relacionar. Os três R's que separam o analista inseguro do analista referência. O que é a Metodologia 3R A Metodologia 3R é uma estrutura de raciocínio aplicada a cada alteração hematológica que aparece na sua bancada — seja na série vermelha, na série branca, na série plaquetária ou em onco-hematologia. Em vez de você abordar uma alteração de qualquer jeito (às vezes só identifica, às vezes só descreve, às vezes só intui o significado clínico), o 3R força você a passar pelas três dimensões em ordem, sempre. Reconhecer primeiro. Relatar em seguida. Relacionar por último. O resultado é um analista que não libera mais hemograma "no susto". Libera com critério. Com norma. Com clínica. Vamos destrinchar cada R. R1 RECONHECER — por padrões celulares, não por similaridade Reconhecer é a base. Sem isso, nada vai funcionar. Mas reconhecer não é decorar. Reconhecer é identificar o que nunca muda em uma célula — independente de qual paciente, qual coloração, qual microscópio, qual dia. É treinar o olho para os padrões que são invariantes. Vou dar o exemplo mais cobrado nas dúvidas dos analistas: blasto versus linfócito reativo. Cerca de 30% das dúvidas que chegam até nós são sobre essa diferenciação. E faz sentido: é a alteração que mais mata o analista clínico quando a faculdade ensinou só por similaridade. Pelo método da similaridade, você fica olhando "tamanho do citoplasma", "quantidade de basofilia", "presença de nucléolo" — e cada um desses parâmetros pode aparecer ou não, em maior ou menor grau. É terreno movediço. Pelo método dos padrões celulares, você aprende a ler a cromatina de um jeito específico. A cromatina do blasto tem uma textura que é imatura de um jeito que a do linfócito reativo nunca é, mesmo quando o linfócito reativo está bem ativado. A cromatina é o padrão que não muda. É o que você ancora o olho. Quando você aprende a ler padrões — e não a comparar imagens — a célula se entrega para você. Não importa se ela está num laboratório de São Paulo ou de uma cidade do interior. Não importa se a coloração ficou um pouco mais rosada ou mais azulada hoje. O padrão está lá, e você o vê. Esse é o R1: trocar o "será que parece?" pelo "eu reconheço o padrão". R2 RELATAR — segundo as normas ICSH, CAP, NCCLS e ABNT Aqui está a dor escondida da hematologia laboratorial. A dor que ninguém te contou que era uma dor — até você descobrir que era. Você pode ter um olho clínico afiadíssimo. Pode reconhecer cada alteração da lâmina com segurança absoluta. E ainda assim ser um analista invisível para o médico que recebe o seu laudo. Por quê? O médico não vê a sua lâmina. Ele vê o seu laudo. Essa frase precisa entrar na sua mente como um carimbo. O médico nunca vai sentar no seu microscópio. Ele vai ler o que você escreveu — e tomar a decisão clínica com base nisso. Se você reconheceu uma alteração importante na lâmina mas relatou de um jeito genérico, vago ou impreciso, é como se a alteração não existisse. Ela morreu na sua bancada. É por isso que existe um corpo internacional de normas que rege como o hemograma deve ser relatado: ICSH (International Council for Standardization in Haematology) — padrão internacional para nomenclatura e descrição de alterações morfológicas CAP (College of American Pathologists) — diretrizes de qualidade para laboratórios clínicos NCCLS / CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute) — padronização de processos analíticos ABNT NBR — Exame do Hemograma — a norma brasileira que padroniza a liberação do hemograma em todo o território nacional, cuja escrita coordenei pessoalmente Essas normas existem por um motivo simples: quando todo analista relata da mesma forma, o médico lê com confiança. Não há ambiguidade. Não há "será que ele quis dizer isso?". Não há laudo que desperdiça uma boa observação porque foi descrito de qualquer jeito. O R2 é o que transforma você de um analista que vê em um analista que comunica. E é exatamente aqui que o seu nome começa a ser percebido pelo médico. Quando o laudo sai bom, com nomenclatura correta, com descrição precisa, o médico repara. Pergunta quem assinou. E na próxima vez, ele vai querer que você analise o hemograma. R3 RELACIONAR — com a clínica do paciente O R3 é onde o analista deixa de ser apertador de botão e vira referência clínica. Reconhecer um drepanócito é uma coisa. Saber que ele aparece em pacientes com anemia falciforme e que a presença dele em um paciente sem diagnóstico prévio precisa ser sinalizada com urgência é outra. Reconhecer esquizócitos é uma coisa. Entender que eles podem indicar microangiopatia trombótica — algo que pode ser uma emergência médica — é outra. Cada alteração que você identifica na lâmina significa alguma coisa para o paciente. Não é morfologia pela morfologia. É morfologia que conta uma história clínica. O R3 te ensina a fazer essa ponte: Que alteração morfológica é essa? Em que contextos clínicos ela aparece? Qual a urgência? Posso liberar tranquilo ou preciso sinalizar? O que mais eu posso correlacionar no próprio hemograma (índices hematimétricos, contagens, gráficos do analisador)? Quando você domina o R3, algo acontece na sua relação com o médico que solicitou o exame. Ele começa a ligar para o laboratório. Pergunta a sua opinião. Quer entender o que você viu. Você deixa de ser um nome no rodapé do laudo e passa a ser um elo essencial da cadeia diagnóstica. Essa é a transformação completa. R1 te dá o pão. R2 te dá a profissão. R3 te dá a autoridade. Como aplicar a Metodologia 3R na sua rotina A boa notícia é que o 3R é um framework de pensamento. Você não precisa virar professor de hematologia para aplicar. Precisa, sim, treinar o hábito de passar pelos três R's toda vez que uma alteração aparecer na sua bancada. Na prática: Antes de liberar qualquer hemograma alterado, pergunte-se os três R's em ordem. Reconheci pelo padrão? Estou relatando segundo a norma? Sei o que isso significa clinicamente? Construa um repertório de padrões celulares, não de imagens decoradas. Quando estudar uma alteração, foque no que nunca muda naquela célula — não no que parece. Tenha a nomenclatura oficial à mão. Trocar "raras células linfoides atípicas" por uma descrição padronizada conforme ICSH/ABNT muda completamente a percepção do médico sobre o seu laudo. Estude as alterações pareadas com a clínica. Não estude esquizócito sem estudar microangiopatia. Não estude blasto sem estudar leucemias agudas. A morfologia desconectada da clínica é decoração — a morfologia conectada é diagnóstico. Use o 3R como checklist mental, não como teoria. Em três meses de prática consistente, ele deixa de ser um esforço consciente e vira o seu jeito automático de ler lâmina. Por que a Metodologia 3R funciona O 3R não é uma opinião nem uma escola pedagógica isolada. É a tradução, em método aplicável, de três corpos de conhecimento que já existem e que estavam dispersos: A morfologia hematológica baseada em padrões celulares (e não em similaridade visual frágil) A padronização internacional do laudo via ICSH, CAP, NCCLS e a norma ABNT brasileira A correlação clínico-laboratorial que transforma morfologia em diagnóstico O que a Metodologia 3R faz é juntar essas três frentes em uma sequência única e replicável, que cabe na rotina de qualquer laboratório — do laboratório municipal de cidade do interior ao centro de referência em capital. Sobre a base científica e a prova de campo A Metodologia 3R foi desenvolvida ao longo de anos de prática em laboratório, ensino e participação em normas técnicas. Ela tem como base o trabalho de coordenação da norma ABNT NBR — Exame do Hemograma, que padroniza a liberação do hemograma em todo o território nacional. Hoje, mais de 5.000 alunos em 22 países aplicam o 3R na bancada. São analistas clínicos, biomédicos, farmacêuticos-bioquímicos e estudantes que saíram da insegurança paralisante e passaram a liberar hemogramas com critério técnico, segurança e correlação clínica. O método não é teórico. É de rotina — feito por quem está na bancada, para quem está na bancada. O analista que vê. O analista que relata. O analista que orienta. Existe uma escala silenciosa na hematologia laboratorial, e quase ninguém a verbaliza. Mas ela existe e separa as carreiras de jeito muito claro. No primeiro degrau está o analista que vê — que reconhece a célula. É o requisito mínimo. Sem isso, não há profissão. No segundo degrau está o analista que relata — que descreve corretamente, segundo as normas, o que viu. É aqui que a diferenciação começa. É aqui que o nome aparece para o médico. No terceiro degrau, o mais alto, está o analista que orienta — que correlaciona com a clínica, sinaliza urgências, agrega valor diagnóstico. É aqui que se vira referência. É aqui que o médico liga para o laboratório pedindo a sua opinião. A Metodologia 3R é a escada. R1 é o primeiro degrau. R2 é o segundo. R3 é o terceiro. A diferença entre o analista invisível e o analista referência não é talento. É método. E método se aprende. Sobre o curso Hematologia Prática Se este artigo fez sentido para você e você quer ver a Metodologia 3R aplicada — alteração por alteração, na sua bancada, em formato de consulta rápida — vale conhecer o curso Hematologia Prática da HemoClass. Ele foi pensado como uma ferramenta de consulta na bancada, não um curso para assistir do começo ao fim. Cada alteração hematológica (série vermelha, branca, plaquetária e onco-hematologia) tem uma aula curta, de cerca de 5 minutos, organizada exatamente nos três R's: o que reconhecer, como relatar e como relacionar com a clínica. Você abre quando a alteração aparece. Resolve. Libera com segurança. É o curso que eu gostaria de ter tido ao lado do microscópio quando comecei na bancada. Conhecer o Hematologia Prática https://hemoclasscursos.com.br/br/hematologia-pratica Sem compromisso — só dê uma olhada e veja se faz sentido para a sua rotina. Prof. Paulo MerisioFarmacêutico-Bioquímico, Mestre e Especialista em Hematologia. Coordenador da norma ABNT NBR — Exame do Hemograma. Fundador da HemoClass.
Descomplicando a Hematologia com a Metodologia 3R
08/01/2025 |    #Padronização  #Hematoscopia  #Consultoria
Se você já travou na frente do microscópio tentando entender uma alteração hematológica, saiba que não está sozinho. E se eu te contar que, muitas vezes, a culpa não é sua, mas do método que te ensinaram – ou da falta de método, para ser mais direto?  **Seja bem-vindo ao mundo da Hematologia real!** Aqui, a gente deixa os mitos e regrinhas sem fundamento de lado e foca no que realmente importa: a ciência por trás da célula e a aplicação prática do conhecimento. Eu sou Paulo Merísio, professor de Hematologia há mais de 20 anos, palestrante em congressos no Brasil e no exterior, e criador da **Metodologia 3R**, que vai transformar sua forma de analisar e interpretar alterações hematológicas. O que é a Metodologia 3R? A Metodologia 3R é simples, mas poderosa. Ela se baseia em três pilares essenciais para qualquer profissional que deseja se destacar na área de Hematologia: 1. **Reconhecer**: Entenda os padrões celulares. 2. **Relatar**: Aprenda a descrever corretamente. 3. **Relacionar**: Conecte os achados laboratoriais com a clínica do paciente. Agora, vamos detalhar cada um desses pilares de forma prática (e sem blá-blá-blá acadêmico). --- Pilar 1: Reconhecer "Monócito tem forma de rim", "Blasto tem nucléolo"... Quem nunca ouviu essas frases na faculdade? Spoiler: **muitas delas não funcionam na prática!** Para reconhecer uma alteração hematológica de verdade, você precisa observar o **padrão celular**, ou seja, aquilo que nunca muda em uma célula. Por exemplo: - **Drepanócito**: É uma célula com terminação em ponta e densidade aumentada por conta da hemoglobina polimerizada. Se não tem esses padrões, **não é um drepanócito**. - **Linfócito reativo**: O tamanho ou o formato pouco importam. O padrão está na cromatina heterogênea e na basofilia citoplasmática. Simples assim. Sem conhecer esses padrões, você corre o risco de identificar células de forma errada – e ninguém quer liberar um hemograma equivocado, né? --- Pilar 2: Relatar Imagine o seguinte cenário: você identificou um blasto no hemograma. E aí escreve no laudo: “presença de célula imatura”. **Pausa dramática.** Isso está completamente errado!  O médico não olha a lâmina; ele confia no que você escreve. Se o relato não segue as recomendações adequadas, o resultado perde credibilidade. Aqui vão algumas dicas práticas: - **Blasto**: Deve ser contado e relatado como tal. - **Eritroblastos**: Informe a proporção correta (X eritroblastos por 100 células nucleadas). - **Linfócitos reativos**: Inclua-os na contagem diferencial. Relatar corretamente não só evita confusões, mas também destaca seu trabalho no laboratório. Quando o médico consegue correlacionar o hemograma com a clínica do paciente de forma precisa, ele sabe quem está por trás daquele resultado impecável. --- Pilar 3: Relacionar Este é o grande diferencial dos especialistas em Hematologia. Reconhecer e relatar são importantes, mas entender **o que a alteração significa na clínica do paciente** é o que te coloca em outro nível.  Por exemplo: - **Vacúolos no citoplasma de neutrófilos**: Sabia que eles podem indicar septicemia? Mas se a lâmina foi feita muito tempo após a coleta, esses vacúolos podem ser induzidos pelo EDTA. Entender a fisiologia é crucial para não cair em armadilhas. Além disso, médicos frequentemente ligam pedindo explicações sobre alterações. Se você não souber responder, sua credibilidade (e a do laboratório) vai por água abaixo. Por outro lado, se você entende a fisiologia e sabe contextualizar a alteração, ganha destaque como profissional. --- Por que a Metodologia 3R é essencial? A Hematologia não é uma ciência "apertar botão". É um trabalho artesanal que exige conhecimento profundo e aplicação prática. É exatamente por isso que bons hematologistas são tão valorizados no mercado. Se você quer se destacar, comece aplicando a Metodologia 3R na sua rotina. E se quiser dar um passo além, conheça meu curso **Hematologia Prática**, onde ensino como aplicar essa metodologia em todos os tipos de alterações hematológicas – de células vermelhas a blastos. Para conhecer o curso hematologia prática clique AQUI Gostou do conteúdo? Compartilhe com seus colegas e não esqueça de se inscrever aqui no meu blog para continuar aprendendo Hematologia de verdade.  Nos vemos no próximo post! 😉
Caracteristicas dos Linfocitos Reativos
04/02/2019 |    #Leucograma  #Padronização  #Hematoscopia  #Consultoria
Introdução: Linfócitos reativos (LR) são variações morfológicas de linfócitos T e B ativados, originados como resposta a estímulos virais e inflamatórios, na presença de fármacos, na rejeição a transplantes e em situações de grande estresse ao sistema imunológico. Sua identificação ainda gera dúvidas na rotina laboratorial. Objetivo: revisar as características morfológicas dos LR, visando sua correta identificação na rotina laboratorial. Desenvolvimento: os LR variam de 10 a 30 μm; a cromatina possui regiões grosseiras e dispersas, evidenciando a síntese de DNA nas áreas mais claras. Podem ou não apresentar vacúolos; o citoplasma é irregular e basófilo, com a região periférica escurecida devido à intensa transcrição de RNA, podendo ainda ser visível o Complexo de Golgi aumentado pela intensa atividade ribossômica. Morfologicamente, são subdivididos em plasmocitóides, células de Downey I, II e III. Os plasmocitóides são arredondados, com tamanho intermediário, a cromatina forma pequenas massas densas, os nucléolos são indistintos e o citoplasma é abundante, mais claro na região perinuclear. As células de Downey I são mais raras e possuem quantidades fracas a moderadas de citoplasma basofílico, com núcleo recortado, dobrado ou lobulado e cromatina condensada. As células de Downey II são as mais comuns, com núcleo arredondado, cromatina moderadamente condensada e nucléolo indistinto, citoplasma azulado pálido, pouco granulado. As células de Downey III são maiores, com núcleo redondo ou oval, cromatina dispersa e citoplasma abundante, intensamente basofílico. Discussão: um adulto saudável possui de 2 a 6% de linfócitos reativos circulantes. Em doenças como a dengue, a contagem de linfócitos reativos chega a 10% dos leucócitos totais; na mononucleose infecciosa, por exemplo, pode ultrapassar 20%, evidenciando-se como um possível marcador clínico, diagnóstico e prognóstico. Conclusão: saber identificar corretamente linfócitos reativos na rotina laboratorial é de extrema importância para a investigação diagnóstica laboratorial. Esse artigo foi escrito em conjunto com a farmacêutica Alana Rubia Hotênio de Santana, e ganhou o premio de melhor resumo do CBAC de 2017. A partir deste resumo, escrevemos o e-book Linfócitos Reativos para Analístas Clínicos, que foi sucesso de vendas em 2017 e 2018, sendo relatado como a melhor ferramenta disponível para caracterização, identificação e interpretação dos linfócitos reativos. Clique aqui para conhecer o e-book Caso não funcione, copie e cole o link abaixo em seu navegador. https://pay.hotmart.com/X5966042R?checkoutMode=10  
12 fatores para uma hematologia de excelência
18/07/2018 |    #Padronização  #Consultoria  #exames
Considerando a opinião de profissionais que trabalham diretamente com hematologia, averiguamos quais são os fatores a serem considerados para um serviço de hematologia de excelência:   1. Coleta adequada supervisionada por um profissional analista clínico. Muitas vezes a coleta é realizada por pessoas treinadas para coletar, mas que não conhecem cuidados específicos de determinados exames. Uma coleta traumática, por exemplo, altera totalmente os exames da coagulação.  2. Lâmina feita na hora da coleta. Este é um ponto fundamental. O tempo de contato da amostra com EDTA induz à alterações nas células sanguíneas, que podem induzir a resultados equivocados da análise hematoscópica.  3. Coloração adequada. Os corantes rápidos não apresentam uma boa coloração de estruturas intracelulares. Em casos de doenças onco-hematológicas, a observação fica comprometida com estes corantes, sendo sempre indicado um corante de referência como MGG, Leishman, Wright.  4. Hematoscopia realizada em aumento de 100X. Embora isso seja amplamente recomendado, sabe-se que vários profissionais preferem fazer a diferencial em aumento de 40X. Este procedimento é inadequado pois pode ocultar estruturas celulares importantes.  5. Interpretação dos resultados liberados pelo aparelho. Sem dúvida a automação veio para ficar e dificilmente um laboratório de médio porte suportaria uma rotina sem ela. Entretanto é fundamental que se saiba interpretar os resultados fornecidos pelo aparelho para saber o que laudar e o que fazer.  6. Tempo de processamento das amostras. O sangue em contato com o EDTA pode, depois de certo tempo, modificar não só a morfologia das células mas também a contagem das mesmas, principalmente das plaquetas.  7. Revisão de lâminas. Todas os hemogramas que apresentam flags do aparelho devem ter as lâminas revisadas. Ainda seria ideal uma amostragem em torno de 5% de modo aleatório dos hemogramas normais, pois existem patologias que não alteram o hemograma, mas apresentam alterações celulares.  8. Controle de qualidade externo e interno. Como todos os setores de um laboratório, o controle de qualidade na hematologia também é de fundamental importância para balizar os analistas perante situações já conhecidas.  9. Laudos simples e informativos. A estruturação do laudo dos exames de hematologia deve levar em consideração diretas e indutivas. O que os números revelam não é necessário relatar. Deve-se usar as observações para descrever situações, estruturas e células não avaliadas pelo aparelho.  10. Treinamento dos analistas. Uma situação que deve ser constante. Quem faz hematologia deve ter o olho calibrado para células diferentes das que se vê no dia a dia da rotina, então os cursos práticos e treinamentos se fazem necessários para estes profissionais.  11. Valores próprios de referência. De acordo com a localização, etnia, perfil populacional, altitude, e diversos outros fatores, os valores populacionais dos exames laboratoriais podem ser diferentes. Esse fato é sabido e, devido a ele, se recomenda que cada laboratório estipule os seus valores de referência de acordo com a população atendida.  12. Assessoria. Um bom serviço de assessoria pode trazer uma credibilidade ainda maior aos exames hematológicos em todas as fazes do processo. Este fator foi considerado por boa parte dos profissionais e ainda considerado um dos fatores mais importantes para um serviço de hematologia de excelência. Conheça o serviço de assessoria remota da hemoclass no link abaixo.              https://hemoclass.kpages.online/assessoriaremota
VHS velocidade de hemossedimentação
24/01/2018 |    #Padronização  #Consultoria
O VHS(Velocidade de Hemossedimentação) é um exame amplamente solicitado e utilizado para investigações diagnósticas e acompanhamento de pacientes em estados inflamatórios.   Trata-se de um exame pouco específico, pois se altera em qualquer quadro inflamatório, aonde houver produção de proteínas de fase aguda como PCR ou imunoglobulinas, por exemplo, entretanto é um ótimo exame para acompanhamento de pacientes e devido ao seu baixo custo e técnica relativamente fácil e simples, acaba sendo incluído como um dos exames de escolha para verificação de quadro inflamatório. Antigamente se relacionava o VHS à quadros infecciosos, mas hoje sabe-se que ele se altera em diversas situações, o que o torna pouco específico como já comentado. O fundamento é que no processo inflamatório acontece a produção de proteínas de fase aguda (PCR, ferritina, fibrinogênio, etc....), e estas proteínas diminuem a força de repulsão das hemácias (potencial zeta), deste modo elas acabam sedimentando mais rapidamente. É importante ressaltar que o VHS tem valor padronizado para 1 hora. VHS de 2 horas não apresenta correlação clínica comprovada, e não deve ser utilizado. Outro ponto importante é a metodologia. Westergreen descreveu a técnica utilizado a diluição do sangue em citrato de sódio. Muitos laboratórios acabam utilizando o sangue total para VHS, o que não é recomendado, pois resulta em valores diferentes da técnica original podendo excluir um diagnóstico ou dar falso positivo. É fundamental que um laboratório que busque a excelência em seus exames utilize-se de técnicas fundamentadas e comprovadas. Como o VHS é um exame muito presente na rotina, recomenda-se que seja feito pela metodologia correta. Assista o vídeo abaixo e saiba como fazer corretamente o VHS.
Parasitose e Hemostasia
Por: Paulo Merisio em 27/12/2017 |    #Hemostasia e Coagulação  #Consultoria
As plaquetas possuem diversas funções além do processo de hemostasia, sendo algumas delas no processo inflamatório e também nas infestações parasitárias. Algumas evidências relatam a ação conjunta da plaqueta com os leucócitos no processo de defesa do organismo. O plasmódium por exemplo, além de invadir as hemácias também invade as plaquetas, sendo que nesta situação um VPM estar diminuído em crianças que apresentam convulsões do que em casos sem essa intercorrência. Casos assintomáticos costumam apresentar menor frequência de trombocitopenia do que casos sintomáticos. A função da plaqueta na malária é sugerida como um mediador da aglutinação das hemácias infectadas pelo plasmódium. Já na Leishmaniose visceral, o comportamento esperado das plaquetas é uma trombocitopenia, além da anemia e leucopenia, o que explica os frequentes fenômenos hemorrágicos nestes casos. Os ancilostomídeos, grandes causadores de hemorragias intestinais, com consequente perda de ferro, estão envolvidos na inibição da adesão e agregação plaquetária, na secreção e liberação de fatores de fibrinólise. Também atuam na inibição do fator X, em um papel semelhante à anti-trombina 3. O que se espera nestas infecções é uma diminuição na contagem de plaquetas e também no VPM. A inibição no processo de coagulação também é observada na ascaridíase, sendo que este processo inibitório auxilia a invasão destes parasitas. Na associação de áscaris com trichuris ainda se espera uma associação importante. Casos com ferritina diminuída, espera-se um VPM menor, compatível com microplaquetas. Na Giardíase, os parâmetros plaquetários alteram da seguinte forma: Trombocitose com discreta macroplaquetose relatada por aumento no VPM, e uma evidente anisocitose plaquetária, relatada pelo aumento do PDW. Estes parâmetros evidenciam a ativação plaquetária durante o processo parasítico. O aumento da contagem de plaquetas e VPM também é observado na Amebíase, e ainda vem acompanhada do aumento do PCT (plaquetócrito) e aumento do P-LCR, o que indica uma alteração morfológica plaquetária decorrente do processo. As alterações do plaquetograma não são específicas para estes processos, mas podem ser associadas para uma melhor interpretação. Também vem sendo encontrado, a cada dia mais, utilidades para os novos parâmetros plaquetários. Em Janeiro o curso HemoClass – HC – Entendendo a Hemostasia e Interpretando o Coagulograma será relançado. Não fique de fora da próxima turma.
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